A Bitcoin entra em 2026 com uma lição para os mercados de capitais.

Mike Smith 2026-01-04

O Bitcoin teve um final de 2025 sóbrio: após um máximo recorde no outono, o ativo digital terminou o ano com um momentum negativo – a sua primeira queda anual desde 2022. No seu pico, em outubro, o preço ultrapassou os 126.000 dólares, mas, no final de dezembro, tinha recuado para os 87.474,20 dólares, um lembrete de quão rapidamente o apetite pelo risco muda quando o ambiente externo se torna hostil.

O catalisador foram os anúncios de Washington sobre tarifas e restrições à exportação. Isto levou rapidamente os investidores a adotarem uma postura defensiva, com o início de uma onda de encerramentos forçados de posições no setor das criptomoedas. Os observadores estimam que as liquidações ultrapassaram os 19 mil milhões de dólares, tornando-se o maior evento deste tipo para a classe. A alavancagem acelerou a queda, enquanto os stops automáticos e as chamadas de margem tornaram o movimento brusco e dispendioso.

Outra tendência também se tem vindo a fortalecer ao longo do ano: o Bitcoin está a comportar-se cada vez mais como um ativo de risco. Cresce quando as carteiras estão mais dispostas a absorver volatilidade e cai quando a incerteza aumenta – seguindo regras familiares ao mercado bolsista. Para os gestores, isto significa uma nova lógica: o BTC é frequentemente colocado na mesma categoria de risco que o setor tecnológico, e as decisões a seu respeito são tomadas nos mesmos locais onde se discutem os limites de VaR, os testes de stress e as correlações entre ativos.

As instituições estão a ter de reestruturar as suas operações: manter uma reserva de liquidez mais robusta, planear antecipadamente as garantias para os derivados e definir cenários para a redução de posições. Para as tesourarias empresariais que consideram o Bitcoin como parte das suas reservas, a disciplina é fundamental — desde os procedimentos de rebalanceamento até aos relatórios para o conselho de administração.

Ao mesmo tempo, o setor recebeu alguns avanços regulatórios nos EUA: alguns processos com a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) foram resolvidos, e as discussões sobre as regulamentações federais para os tokens denominados em dólares estão perto da conclusão. Mas a estrutura mais ampla de "mercado" ainda está em desenvolvimento, e é precisamente esta pausa que está a impedir a entrada de capital a longo prazo, que valoriza os padrões de custódia, auditoria e requisitos de intermediação.

Neste contexto, a atividade corporativa e política em torno dos ativos digitais intensificou-se: as empresas e associações atribuíram mais de 245 milhões de dólares para apoiar candidatos e iniciativas, na esperança de acelerar a formação de regulamentos claros. Os investidores, por sua vez, devem manter-se atentos não só ao gráfico do BTC, mas também ao calendário de anúncios macroeconómicos, decisões de negociação e prazos regulamentares — é aí que estão a ser feitos os movimentos mais valiosos.